Conhece alguém que já teve problemas cardiovasculares? Talvez um parente, amigo ou conhecido? Provavelmente a resposta foi sim porque esses problemas são extremamente comuns na população em geral. Por isso, existem diversos exames bioquímicos responsáveis por demonstrar risco à saúde cardiovascular.

Pessoas que têm histórico de doenças vasculares, seja em si mesmo ou na família, devem utilizar esses meios bioquímicos. São eles que ajudam na observação de alterações que podem gerar risco de eventos cardiovasculares, permitindo um tratamento precoce.

Dentre os exames mais conhecidos pertinentes a saúde cardiovascular estão: Colesterol total, LDL, HDL, triglicerídeos, ApoB (componente do LDL), glicose, etc. Entretanto, um aminoácido conhecido como homocisteína, vem sendo amplamente difundido como um dos fatores de risco para doenças cardiovasculares.

Já ouviu falar dele? Ainda não? Então você está perdendo informações importantes referentes à sua saúde cardiovascular. Continue lendo para entender o que é esse aminoácido e o que ele tem a ver com sua saúde.

O que é a homocisteína?

A homocisteína é um aminoácido que não está presente na dieta humana, tampouco nas proteínas que formam nosso organismo. No entanto, esse aminoácido existe no nosso organismo por ser um produto do metabolismo da metionina (um dos famosos aminoácidos essenciais).

Como os níveis de homocisteína podem aumentar?

Existem algumas variações genéticas que podem gerar a hiper-homocisteinemia, ou seja, excesso desse aminoácido no organismo. Elas geram deficiência em enzimas, como a metilenetetrahidrofolato redutase, que auxilia na metabolização da homocisteína em metionina. Porém, como não podemos interferir nessas questões, analisaremos outros fatores que podem causar o aumento.

Vamos entender de forma simples o metabolismo da homocisteína

Ninguém ingere homocisteína como parte da dieta, ela é metabolizada no organismo a partir da metionina. Mas também é importante saber que, depois de ser transformada, a homocisteína volta a ser metionina através da enzima metionina sintase.

E qual a importância disso? Enzimas possuem cofatores, esses cofatores são moléculas que podem ser vitaminas ou outras substâncias, que são necessárias para o funcionamento dessas enzimas. No caso da enzima que converte a homocisteína em metionina, temos como cofator a vitamina B12. Sendo assim, níveis baixos de vitamina B12 podem aumentar os níveis de homocisteína.

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Apenas a vitamina B12 pode reduzir os níveis de homocisteína?

Não, o folato, ou ácido fólico (vitamina b9), também tem papel bastante importante no metabolismo da homocisteína. A vitamina b9 atua na geração de precursores necessários para a conversão da homocisteína em metionina. Mais precisamente, a b9 produz um intermediário que através da enzima metilenetetrahidrofolato redutase (MTHFR), produz a molécula necessária para que, juntamente com a vitamina b12, transforme a homocisteína em metionina.

Sendo assim, níveis deficientes de vitamina b12 e b9 podem contribuir para o aumento da homocisteína. Consequentemente, a deficiência nessas vitaminas aumenta do risco para doenças cardiovasculares. A aterosclerose é um risco em especial, e uma causadora de infartos, avc, etc.

Quais os outros sintomas da falta de b12 no organismo?

Dentre os possíveis efeitos adversos gerado por valores insuficientes de vitamina b12 estão:

  • Anemia;
  • Demências;
  • Transtornos de humor;
  • Fraqueza;
  • Alzheimer. 

Como os níveis de vitamina b12 e b9 podem ficar diminuídos?

alimentos que têm homocisteina

Primeiramente por questões dietéticas. Quem consome uma dieta pobre nessas vitaminas pode causar sua redução no organismo. Dentre as fontes de b12 podemos citar os alimentos de origem animal como:

  • Carnes;
  • Ovos;
  • Peixes;
  • Queijos;
  • Leite. 

Já as fontes de b9 são:

  • Fígado de galinha e de boi;
  • Levedo de cerveja;
  • Lentilha;
  • Quiabo;
  • Feijão;
  • Espinafre;
  • Couve. 

Quer manter seu coração saudável? É uma boa ideia colocar esses alimentos na lista do supermercado.

Em quais outras formas os níveis de b12 e b9 podem estar diminuídos?

O uso de medicamentos da família dos inibidores da bomba de prótons, ou seja, omeprazol, pantoprazol e afins, podem reduzir a absorção de b12. Além destes, a metformina, um fármaco conhecido no tratamento da diabetes, também está diretamente associado a redução dos níveis fisiológicos da vitamina B12.

Nestes casos os exames clínicos são totalmente necessários para se avaliar tanto uma redução da vitamina abordada, quanto um aumento dos níveis de homocisteína e o consequente impacto na saúde cardiovascular que esse aminoácido traz consigo.

A população idosa sofre ainda mais com a redução nos níveis de b12 em associação com o uso prolongado de metformina. Dessa forma, nessa população é ainda mais relevante dosar níveis de b12 e homocisteína.

Como os medicamentos como o omeprazol podem reduzir a absorção da vitamina b12?

medicamentos que tem problema de homocisteina

Os mecanismos estão todos ligados a redução dos níveis de ácido clorídrico. A redução deste ácido no estômago leva a problemas na atuação de algumas substâncias, como a pepsina e o fator intrínseco.

Sobre a pepsina, ela é a forma ativa do pepsinogênio, e atua quebrando proteínas para realizar sua posterior absorção. Grande parte da vitamina b12 está presente em alimentos de origem animal. Assim, é necessário quebrar suas proteínas para conseguir absorver a vitamina. Só existe um problema: a pepsina só é ativada em um ambiente ácido, algo que o medicamento combate.

Desta forma há uma possível redução na absorção da vitamina B12. Outro problema da redução ácida do estômago é a diminuição na produção do fator intrínseco, que é uma proteína necessária para a absorção da b12 no intestino. Ou seja, a diminuição ácida do estômago é um problema quando o assunto é absorção da vitamina b12.

Então devo parar de usar esses medicamentos? Devo parar de usar metformina, omeprazol, pantoprazol e afins?

A resposta é não. Se você está usando estes medicamentos é porque existe uma necessidade fisiológica. Contudo, é extremamente importante estar atento aos níveis de b12 no seu corpo, realizando exames periódicos para essa finalidade.

Por isso o foco dos atendimentos em geral sempre deve se voltar a individualidade do paciente, ao seu perfil bioquímico e metabólico, para que tudo se encaixe em busca da saúde e bem estar individual.

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Bibliografia

1 – Vitamina B12 em pacientes diabéticos usando metformina: um corte transversal no Brasil. Rev. Assoc. Med. Bras. 2011, vol.57, n.1, pp.46-49. ISSN 0104-4230.  

2 – Long-term Metformin Use and Vitamin B12 Deficiency in the Diabetes Prevention Program Outcomes – Study Vanita R. ArodaSharon L. EdelsteinRonald B. GoldbergWilliam C. KnowlerSantica M. MarcovinaTrevor J. OrchardGeorge A. BrayDavid S. SchadeMarinella G. TemprosaNeil H. WhiteJill P. Crandall, and the Diabetes Prevention Program Research Group

3 – The Mechanism for Omeprazole Induced Vitamin B12 Deficiency and Risk of Developing Macrocytic Anemia, Hyperhomocysteinemia, and/or Neuropathy – Evidence Based Medicine Consult

4- Omeprazole and vitamin B12 deficiency. Bradford GS1, Taylor CT.

5 – Homocisteína e risco cardiovascular Homocysteine and cardiovascular risk Wagner de Jesus PINTO1 Miguel Arcanjo AREAS2 José Eduardo de MARIALVA2 Silvana Maria Guida CARDOSO2 Elisabete Graisfimberg PINTO2

6 – Role of homocysteine in the development of cardiovascular disease Paul Ganguly and Sreyoshi Fatima Alam