O que é frutose?

Vamos começar entendendo o conceito de frutose. Esse é um tipo de açúcar, um carboidrato simples constituído apenas de uma molécula. Por esse fato, a frutose tem uma absorção muito rápida pelo organismo.

Uma informação interesse é que, diferentemente da glicose (que também é um carboidrato simples), a frutose não depende da insulina para entrar nas células. Além disso, a frutose apresenta um metabolismo quase totalmente hepático. Ou seja, ela é absorvida e metabolizada pelo fígado.

Onde encontramos a frutose?

o que é frutose

Quando ouvimos a palavra frutose, associamos diretamente às frutas, certo? E não é errado, a frutose é um grande constituinte das frutas. No entanto, a frutose faz parte de um grande conhecido, o açúcar de mesa! O açúcar de mesa é chamado de sacarose, essa sacarose é formada por moléculas de glicose e de frutose.

Há alguma diferença entre a frutose do açúcar e das frutas?

Se pensarmos na molécula de forma isolada, não. Contudo, se pensarmos no metabolismo fisiológico, sim. As frutas possuem grandes quantidades de fibras, dessa forma, a absorção da frutose é mais devagar. Portanto, a comparação é extremamente importante quando pensamos em saúde.

Carboidratos de absorção muito rápida muitas vezes podem sobrecarregar nosso metabolismo por causa da rapidez de absorção. Isso também gera alguns problemas, como:

  • Acúmulo de gordura;
  • Esteatose hepática (que está ligada ao consumo excessivo de frutose);
  • Diabetes;
  • Outros.

É pertinente ressaltar que, diferentemente de outros carboidratos, a frutose em si estimula de forma muito fraca a insulina. Isso acontece por não depender deste hormônio para entrar nas células, como foi dito anteriormente. No entanto, a frutose também é facilmente convertida em glicose, pelas células do fígado.

Quais os problemas de consumir frutose em excesso?

Bom, como foi dito anteriormente, a frutose tem grande parte do seu metabolismo no fígado. Sendo assim, o excesso de frutose, principalmente proveniente de sucos açucarados, bolacha recheada, dentre outros, pode comprometer o funcionamento hepático (fígado) quando consumido excessivamente.

A gordura no fígado (esteatose hepática) pelo excesso de frutose da dieta é um problema já conhecido. Quem consome frutose em excesso, juntamente com um excesso calórico estimula a produção de gorduras. Porém, como seu metabolismo é principalmente hepático, existe a tendência de um acúmulo de gorduras no fígado.

Então não posso mais comer frutose?

comer frutose é ruim?

Claro que pode! Principalmente quando essa frutose é proveniente das frutas. Elas têm uma digestão e absorção mais lenta e sobrecarregam muito menos o fígado. No entanto, seu consumo deve sempre acontecer com moderação.

Mesmo o excesso de frutas pode gerar excesso calórico e acúmulo de gordura. Agora, quando falamos do açúcar de mesa, a moderação deve ser maior. Claro que a quantidade correta para ingerir depende do seu metabolismo individual. Mas como uma regra, a moderação na ingestão de açúcar, seja como açúcar de mesa, refrigerantes e biscoitos é uma tática a ser seguida para evitar possíveis problemas futuros.

Acído Úrico, o que é?

gota e frutose

O ácido úrico é uma substância ácida, encontrada normalmente no nosso corpo. No entanto, níveis altos dessa substância podem gerar alguns problemas. Dentre os efeitos negativos mais conhecidos pertinentes ao excesso de ácido úrico no corpo, temos a gota.

A gota é um problema caracterizado por inflamação nas articulações. E tal inflamação é gerada pela cristalização do ácido úrico nos tendões, levando a muito desconforto e dor.

Além da gota, o excesso de ácido úrico pode gerar outros malefícios?

Sim, atualmente já se sabe que altos níveis de ácido úrico podem levar a outros problemas metabólicos. Alguns estudos em animais mostraram que a diminuição dos níveis de ácido úrico reduziu:

  • Problemas metabólicos;
  • Hipertensão;
  • Resistência à insulina (que pode levar a diabetes tipo 2);
  • Outros efeitos.

Um dos mecanismos que podem explicar estas complicações, principalmente os efeitos cardiovasculares, é a diminuição nas concentrações endoteliais (membrana de vasos sanguíneos) de óxido nítrico, substância que atua relaxando a parede desses vasos sanguíneos.

E por que se elevam as concentrações de ácido úrico?

Existem diversos motivos que podem causar o excesso de ácido úrico. Razões genéticas sempre têm um forte impacto sobre isso. A diminuição da função renal também eleva os níveis desse ácido, já que ele é excretado pelos rins. Quando isso não acontece, os níveis de ácido úrico sobem.

Contudo, existem alguns outros motivos pelos quais o ácido úrico pode subir no nosso organismo, e estes possuem relação direta com a dieta utilizada.

Quais tipos de dieta podem elevar o ácido úrico?

frutose eleva ácido úrico

O ácido úrico é produzido através de substâncias chamadas purinas. Essas purinas são encontradas em diversos alimentos, como carnes e verduras. Alguns estudos mostraram que o consumo excessivo de carnes pode gerar um aumento no ácido úrico. Já o consumo de verduras não foi associado ao aumento da substância citada.

No entanto, estudos também mostraram que o alto teor proteico da dieta não estava associado ao aumento nos níveis de ácido úrico. Ainda sobre a questão dietética, alguns alimentos que não possuem purinas também se mostram elevar de forma significativa o ácido úrico. Além disso, também é importante dizer que o consumo excessivo de álcool pode aumentar os níveis de ácido úrico. Isso acontece devido ao aumento de substâncias que são facilmente convertidas à molécula em questão.      

Existe alguma outra forma alimentar que pode aumentar os níveis de ácido úrico?

Sim. Foi falado inicialmente neste artigo acerca da frutose e seus possíveis efeitos negativos. Ainda sobre este açúcar, sabe-se que o seu excesso está ligado diretamente aos níveis elevados de ácido úrico. É sobre isso que vamos falar agora.

Frutose X Ácido úrico

Como foi dito, o excesso de frutose e o de ácido úrico podem gerar diversos malefícios. Além disso, estas duas moléculas apresentam relação direta uma com a outra, aumentando ainda mais a importância desta questão. Mais precisamente, o excesso de frutose pode aumentar o ácido úrico, é o que vamos falar agora.

Como o excesso de frutose pode aumentar o ácido úrico?

Primeiramente vamos falar do metabolismo da frutose e sua diferença quando comparado ao metabolismo da glicose. Ambos são bem parecidos, mas com uma diferença inicial muito importante.

A frutose, ao chegar no hepatócito (célula do fígado) sofre uma reação através da enzima frutoquinase. A glicose, por sua vez, é metabolizada através da hexoquinase. E qual a diferença? Ambas gastam ATP (adenosina-tri-fosfato), no entanto, a frutoquinase faz isso de maneira muito rápida, aumentando muito os níveis intracelulares (dentro da célula) de ADP e AMP.

É interessante entender que como diz o nome, o ATP possui 3 fosfatos (adenosina tri fosfato), enquanto o ADP possui dois (adenosina di fosfato) e o AMP apenas um fosfato (adenosina monofosfato). Estas moléculas chamadas de fosfatos, ao serem quebradas, formam energia. Ou seja, ATP é uma molécula que gera energia.

Mas qual a importância disso na elevação do ácido úrico?

Níveis elevados de AMP são metabolizados formando IMP (inosina monofostato), que pode ser convertido em que? Em purinas. Ou seja, níveis elevados de frutose podem aumentar os níveis de purinas dentro das células hepáticas e são essas purinas que serão convertidas em ácido úrico.

Um pouco complicado o final, mas a bioquímica é clara, níveis excessivos de frutose podem aumentar o ácido úrico!

REFERÊNCIAS

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Revisão: Ácido úrico e hipertensão arterial sistêmica –evidências e controvérsias Uric acid and systemic arterial hypertension – evidences and controversies – Carlos Alberto Balda, Frida Liane Plavnik e Agostinho Tavares

Uric Acid Stimulates Fructokinase and Accelerates Fructose Metabolism in the Development of Fatty Liver Miguel A. Lanaspa, Laura G. Sanchez-Lozada, Christina Cicerchi , Nanxing Li, Carlos A. RoncalJimenez, Takuji Ishimoto, Myphuong Le, Gabriela E. Garcia, Jeffrey B. Thomas,  Christopher J. Rivard1 , Ana Andres-Hernando1 , Brandi Hunter1 , George Schreiner3 , Bernardo RodriguezIturbe4 , Yuri Y. Sautin , Richard J. Johnson

Revendo a Orientação Dietética na Gota Diet Orientation on Gout Revisited Geraldo da Rocha Castelar Pinheiro

Bioquímica Ilustrada – Pâmela C. Champe